O que fazer quando os colegas de trabalho perdem o emprego

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As mudanças dentro do mundo profissional são constantes e muitas vezes inesperadas: quem hoje tem emprego, amanhã pode deixar de o ter. Embora seja extremamente difícil lidar com o desemprego, também os colegas que foram poupados ao despedimento têm dificuldade em lidar com a perda de um colaborador.

Luto profissional

Receber a notícia de que um colega de trabalho foi despedido é um choque muito grande – quer essa notícia fosse ou não esperada – afinal de contas, são pessoas com quem se lida diariamente, durante muitas horas e, em muitos casos, durante anos. A tristeza de ver um colega de trabalho perder o emprego é muitas vezes acompanhada de sentimentos de culpa, por ter sido poupado ao desemprego. A isto chama-se o luto profissional e, como qualquer perda, precisa de tempo para sarar. Antes de mais, é necessário perceber que esse luto e todas as emoções a ele ligadas são perfeitamente normais; é necessário conversar sobre o sucedido dentro da própria empresa para que todos se possam adaptar à nova realidade; é necessário apoiar o colega que perdeu o emprego, ao mesmo tempo que percebe se o seu posto de trabalho também está em risco. Esta é uma situação complicada e recheada de emoções, com as quais é preciso lidar para poder seguir em frente. A vida profissional continua.  

5 passos para a aceitação

Estudos recentes concluíram que quem assiste ao desemprego de um colega de trabalho normalmente vive diversas fases que são parte natural do luto profissional e que podem ser sentidas em ordens diferentes, com mais ou menos intensidade. O importante é conseguir ultrapassá-las:

  1. Negação: a primeira reação é quase sempre de incredulidade e de negação; ninguém quer acreditar que o desemprego aconteceu tão próximo de si e, quanto mais chegado for esse colega de trabalho, maior e mais intensa a negação.
  2. Raiva: a frustração e a ira de um colega de trabalho ter sido despedido é uma emoção natural para quem “escapou” a esse despedimento. No entanto, e porque estas situações são muitas vezes inesperadas, apanhando todos de surpresa, provocam a raiva de quem não imaginava o que estava para acontecer.
  3. Negociação: esta fase prende-se com o momento em que a pessoa que não foi despedida tenta perceber qual é a sua situação profissional no meio deste despedimento. Pode implicar negociações com a chefia relativamente à sua atual carga de trabalho e ao que é esperado de si daqui em diante.
  4. Depressão: a depressão que resulta do despedimento de um colega de trabalho é mais comum do que se imagina, sendo muitas vezes acompanhado de sintomas emocionais (stress, ansiedade, desconfiança, medo, nervosismo, confusão sobre o que fazer…), psicológicos (insónias, pesadelos, paranoia…) e físicos (dores de corpo, dores de cabeça…). A maioria dos sentimentos prende-se com os sentimentos de culpa por não ter sido despedido e pela incerteza relativamente ao seu próprio futuro.
  5. Aceitação: aos poucos a rotina diária volta ao normal – algo que se considera positivo e que deve ser ativamente cultivado – o que leva à consequente aceitação do sucedido.

6 dicas para lidar com o desemprego dos colegas de trabalho

  1. Lidar com o desemprego nunca é fácil, por isso, apoie o colega que perdeu o emprego da melhor forma possível. Mantenha o contacto com o colega, agendando um almoço ou um café todas as semanas, nem que seja para ser um bom ouvido – o colega certamente precisará de conversar e desabafar. Esteja atento aos seus contactos e ao surgimento de possíveis empregos que possa encaminhar para o colega.
  2. A redução do staff não implica a redução da carga de trabalho, por isso, conte sempre com mais trabalho. Uma boa forma de evitar que o aumento do trabalho seja fonte de stress, é fazer a redistribuição do trabalho que era do colega despedido, por várias pessoas. A verdade é que onde todos ajudam nada custa.
  3. Perder um colega de trabalho vai afetar todas as pessoas que com ele trabalhavam, por isso, esta é a altura de estarem unidos – promova o espírito de equipa para que a fase de transição seja mais fácil para todos.
  4. Para além da preocupação pelo colega que perdeu o emprego, é natural sentir-se ansioso relativamente ao seu próprio posto de trabalho. Se sente que o seu emprego está em risco, melhor do que preocupar-se até à exaustão, é falar com o seu chefe e perceber quais são as suas reais perspetivas dentro da empresa.
  5. Manter o emprego durante uma recessão passa por tornar-se indispensável e, embora possa sentir-se triste e até culpado por ter mantido o seu posto de trabalho enquanto um colega foi despedido, tem de pensar, em primeiro lugar, no seu sucesso e futuro profissional. A vida é mesmo assim e tem de continuar.
  6. Em ambientes de trabalho onde o acesso ao chefe é mais restrito, onde reina a incerteza e a insegurança relativamente ao futuro, a atitude mais correta é preparar-se para tudo: assegurar ou perder o emprego. Nestes casos é importante manter o currículo atualizado e começar a investigar as perspetivas de mercado – mudar de emprego pode ser a melhor forma de evitar o desemprego. Avalie bem a situação antes de tomar qualquer decisão profissional.
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