A importância de uma carta de apresentação

Carta de apresentação

Quem procura emprego desdobra-se a aperfeiçoar o conteúdo e a apresentação do seu curriculum vitae, descurando, por vezes, a carta de apresentação… que é mais importante do que pensa!

Nos últimos anos, as cartas de apresentação caíram em desuso porque chegou-se à conclusão que era no CV que as pessoas se deviam concentrar e onde se encontrava a informação mais pertinente. Para além disso, passou-se a enviar muitas mais candidaturas via e-mail em vez de por correio. No entanto, um estudo recente revelou que 86% dos directores questionados acerca da carta de apresentação concordaram que estes documentos são extremamente úteis para a primeira avaliação de um candidato.

Resgate e reinvente a velhinha carta de apresentação que tem algures no seu PC ou aproveite estas dicas para escrever a sua primeira. O importante é que a sua apresentação, preto no branco, fique na secretária de recrutamento e não na caixa da reciclagem!  

Manual ou digital? O uso massivo do computador veio substituir as cartas de apresentação manuscritas, no entanto, algumas empresas continuam a preferir esse método, nomeadamente se pedirem o envio da candidatura via correio. Esteja atento aos requisitos do anúncio e, mesmo que o método de envio sugerido seja o e-mail, a carta de apresentação pode e deve ser escrita ou “colada” na caixa da mensagem. Se o envio for através de sites de emprego, que normalmente disponibilizam formulários próprios, escolha sempre a opção de adicionar a carta de apresentação.

Pessoal & Intransmissível. Acima de tudo, procure dirigir a sua carta a alguém específico – ao director da empresa ou ao director do departamento de recursos humanos – pesquise no site ou telefone directamente para a empresa para obter esse nome. Para além do factor surpresa, saber que investiu algum tempo a procurar essa informação será bem visto por quem receber a sua candidatura… afinal de contas, quem é que não gosta de receber, no meio de tantos “Ex.mos Senhores”, uma carta dirigida especificamente a si? Só por isso já se vai destacar.

Escrita criativa. A sua carta de apresentação é isso mesmo: um meio para se apresentar não presencialmente, ou seja, tem apenas a força das palavras para chamar a atenção. Utilize-as, mas não de forma errada. Evite recorrer às “cartas modelos” que são quase todas iguais e não apresentam qualquer mais-valia; não seja arrogante, mas também não se desvalorize ao utilizar calão ou palavras como “eventualmente”, “talvez”, “se possível” e “acho”; não mencione a sua inexperiência, o facto que foi despedido do último emprego, nem as suas pretensões salariais; escolha uma frase de abertura original e inspiradora, algo que prenda logo a atenção do destinatário; e feche com chave de ouro – a última impressão também é crucial – mostrando, claro, a sua disponibilidade para uma entrevista.

Curto & Apelativo. Se tudo correu bem, a parte apelativa já a conseguiu graças à escrita criativa… mas não exagere! Uma carta de apresentação curta, bem escrita e interessante não tem preço; uma carta de apresentação extensa, estandardizada e cheia de “palavras caras” provavelmente não será lida até ao fim e terá muita sorte se não for logo parar ao lixo. Três ou quatro parágrafos concisos serão mais que suficientes, mais do que uma página A4 já começa a roçar o inaceitável. Lembre-se: não tem de relatar a sua carreira profissional inteira na carta de apresentação, é para isso que serve o CV.

Informe-se. Descubra tudo o que puder sobre a empresa e o mercado onde actua, utilizando essa informação de forma inteligente na carta de apresentação – descreva como o seu perfil se encaixa na filosofia da empresa e no cargo específico em questão. Para além de demonstrar o seu interesse e entusiasmo pela empresa e a sua área de actuação, mostra que está bem informado e que sabe exactamente quais as mais-valias que pode trazer ao ser recrutado.

Cobrir lacunas. Aproveite a carta de apresentação para dizer tudo aquilo que não cabe ou que não seja apropriado incluir num CV; ou então, se está à procura do seu primeiro emprego ou se está desempregado e o seu currículo não passa de uma folha com os seus dados pessoais, formação académica e pouco mais, aproveite a carta para descrever o trabalho de voluntariado que tem feito no seu tempo livre ou o blogue que entretanto começou a escrever e que tem precisamente a ver com a sua área de conhecimento. É importante mostrar que, apesar de não ter estado a trabalhar, viveu os últimos seis meses de forma activa e não sentado no sofá a ver Dr. House.

Cuidado com os erros. Até as pessoas mais perfeccionistas e os programas de correcção automática podem deixar passar um erro ou outro. Antes de fechar o envelope ou clicar no botão “enviar”, reveja a sua carta de apresentação com “olhos de ver”, leia em voz alta ou envie-a para si próprio. Por vezes, também ajuda deixá-la em “repouso” de um dia para o outro e só rever nessa altura, ou então peça a outra pessoa para dar uma vista de olhos – duas cabeças (e dois pares de olhos!) são sempre melhores do que uma! Por último, certifique a morada ou o endereço de correio electrónico para onde vai enviar a sua candidatura e… boa sorte!

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